Foram quase quarenta horas de trabalho de parto e uma cesariana!

Relato de Parto de Catiane Marques

Quarenta horas entre a primeira tentativa de indução e o momento em que Marina nasceu.

Quarenta horas de sensações que atravessavam o meu corpo algumas sutis, outras tão intensas que eu jamais havia sentido algo parecido na vida.
E, ainda assim, não houve sofrimento.
Houve força. Houve entrega. Houve fé.
Houve a coragem ancestral que mora no corpo das mulheres e que eu descobri existir dentro de mim.

As dores vinham, mudavam, cresciam… e junto delas vinha uma sensação impossível de explicar: uma mistura de prazer, realização, conquista e presença absoluta. Eu sempre quis viver isso, sentir o meu corpo trabalhar, se abrir, se preparar para trazer minha filha ao mundo. Eu queria viver um parto humano, respeitoso, verdadeiro. E vivi.
Fui cercada por uma equipe inteira de mulheres mulheres de conhecimento vasto, técnica impecável e evidências científicas nas mãos… mas, acima de tudo, mulheres humanas, empáticas, atentas, cuidadosas. Mulheres que sustentavam com o olhar e com o toque o que eu vivia por dentro. Obstetra Giana Mendonça Barros , enfermeira obstétrica Ana Bicca, pediatra Thais Moreira, fotógrafa Plartph , e toda a equipe da Clínica Amparo.
Ser acolhida por vocês foi indescritível.

Até agora, quando fecho os olhos, eu volto para aqueles momentos. Eu revivo. Eu sinto. O único homem que compunha o cenário era meu marido Richas Vissotto, que após esses dias tenho certeza que não duvidará nunca da força de uma mulher.
Mas sentir meu corpo abrindo caminho.


Sentir minha filha, uma pequena MULHER, se esforçando para nascer.
Sentir a força dela em cada contração, ouvir da minha médica “ coisa mais mimosa ela empurra forte na contração” ainda ecoa em meus ouvidos, Marina se empenhava, empurrava com vigor, trabalhava comigo… foi como receber a primeira prova do que ela representa nesse mundo.
Uma potência.


Foram quarenta horas de entrega total.
De corpo, de alma, de história.
A via de nascimento da Marina foi uma cesariana e, sim, eu já ouvi comentários: “ah, não conseguiu”, “no fim deu errado”, “foi tudo à toa”.
Mas sabe o que eu respondo, do fundo da minha verdade?

Eu CONSEGUI. Eu vivi tudo o que eu sempre sonhei viver. Eu dei à minha filha todos os benefícios possíveis de um trabalho de parto respeitoso. Eu fui protagonista. Eu fui forte. Eu fui inteira. E, em meio a tudo isso, ressignifiquei também o meu casamento.

Eu e o Richas entramos na Amparo como um casal e saímos de lá outros: mais fortes, mais unidos, mais apaixonados e, acima de tudo, mais admirados um pelo outro. Nós nos enxergamos de forma nova. Nós crescemos.

O parto da Marina também foi um parto nosso.

Eu viveria tudo de novo.

Cada minuto. Cada dor. Cada sensação. Eu não hesito. Não me arrependo de absolutamente nada, nem por um milésimo de segundo. Eu nem pensava em escrever um relato de parto, já que estou longe das redes… mas eu quis fazer isso por dois motivos: para agradecer, publicamente, a melhor equipe que eu poderia ter ao meu lado e para dizer a outras mulheres que sonham com esse momento: não desistam.

Busquem informação. Busquem uma Busquem informação. Busquem uma equipe adequada. Façam terapia.

Vivam por vocês e por seus filhos. Não deixem que os comentários alheios ditem seus sonhos eles não conhecem os teus motivos, nem a tua força. Eu já ouvi que fui teimosa, que fui louca… E sabe o que eu penso? Que sim, eu sou louca, louca de amor próprio, louca de uma força que eu desconhecia até a Marina nascer. Depois do parto da Marina, eu me sinto pronta para vencer o mundo. Pronta para qualquer coisa. Nada mais abala a minha confiança. Eu sei do que eu sou capaz.

E minha filha nasceu sabendo e saberá sempre da potência que somos. Marina transformou tudo por aqui.

Agora, estamos completamente apaixonados por ela, vivendo cada momento com a intensidade que só quem renasceu eum trabalho de parto entende.